Quando começa um movimento como a atual greve nacional da FASUBRA, não é incomum que se ouça da parte de algum colega a observação incrédula resumida numa expressão como:
- Ah, não vou participar, isso não vai dar em nada!
Há os que realmente não gostam de participar. Mas há muitos que, pensando só no tempo presente, se esquecem da história. E a história das lutas de trabalhadores fornece elementos fortes o bastante para contestar os incrédulos. Aqui não se vai falar de toda uma trajetória de combates, no mundo inteiro ao longo de dois séculos, que conquistaram o conjunto de direitos que tem hoje os trabalhadores. Faremos só um curto resgate das greves ocorridas na UFPR/UTFPR na primeira década deste milênio.
No ano 2000, era o tempo do segundo mandato neoliberal de FHC e a FASUBRA deflagrou uma greve que tinha entre seus objetivos incorporar uma gratificação especial ao vencimento-base. A GAE (Gratificação por Atividade Executiva) correspondia a 160% do salário-base e havia sido obtida no Governo Itamar Franco (1994). Mesmo com um forte movimento, que chegou a realizar um Ato Público de muitos milhares de pessoas junto com o MST, em maio/2000, na Boca Maldita, o Governo fechou as portas em definitivo e o CNG (Comando Nacional de Greve) se viu obrigado a suspender até o ano seguinte a paralisação.
Um recuo unificado e organizado, como se diria em jargão militar. Mas, em 2001 a greve foi retomada, com idêntico vigor, e desta vez o Governo FHC teve que abrir negociação. A GAE foi enfim incorporada ao salário-base.
No início tumultuado do primeiro mandato de Lula, que barganhou a estabilidade de sua posse como presidente em troca de certas concessões ao grande capital financeiro, uma dessas concessões foi a realização de uma reforma previdenciária que penalizava os trabalhadores e também servidores públicos. Assim, em 2003, quando a reforma estava para ser aprovada, a FASUBRA chamou uma greve nacional contra o chamado “Pacotão da Previdência”. Dessa greve o Sinditest participou, embora com vários problemas na condução do movimento devido a turbulências internas na diretoria sindical. A reforma da Previdência foi aprovada e a greve não surtiu o efeito esperado.
Mais adiante, quando a oposição de direita e seu braço na grande mídia tentaram emparedar Lula na chamada “crise do mensalão”, nova greve salarial foi deflagrada em 2005. Entretanto, as diversas correntes políticas dentro do CNG não estavam se entendendo, e o movimento teve um curso conturbado. Foi movimento do qual a UFPR não participou. Sem entendimentos entre as lideranças e perdendo adesões em todas as IFES, ele “morreu de morte morrida” sem nada obter.
A última greve realizada na década, contudo, redimiu os problemas de 2003 e 2005, pois, apesar da longuíssima duração, obteve ganhos no salário e em benefícios. Os 100 dias da greve de 2007 foram acompanhados pela UFPR desde seu início e o acordo final com o governo, em outubro/2007, resultou em aumentos salariais escalonados ao longo de três anos (2008 a 2010), além da conquista do auxílio-saúde suplementar per capita, facilitando aos servidores pagarem planos de saúde. Esta greve teve papel de recompor em parte perdas salariais históricas, em especial dos servidores de cargos de nível superior, mas diversas pendências sobre itens do Plano de Carreira ficaram por ser resolvidas, os quais estão hoje na pauta da greve de 2011.
A greve é um combate e dele se pode sair com derrota, ou com algumas conquistas ou por vezes com uma ampla vitória. Mas, sem recorrer a ele, não se pode alimentar grandes esperanças.
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